As “hashtags” amigas da quarentena

Foto: Drew Coffman

Ficar em casa passou a ser a mais importante recomendação da Direção Geral de Saúde (DGS). Mas, com tempo para “dar e vender”, torna-se tentador sair para aproveitar o sol. Nesse sentido, começaram a surgir vários projetos que incentivam a quarentena voluntária através de hashtags. Aqui, mostramos dois deles.

#CulturaAoDomicilio

A associação cultural INDIEROR, proveniente de Chaves na região de Trás-os-Montes, desenvolve um leque variado de eventos com o objetivo de estimular a cultura local. Produz espetáculos musicais, que já trouxeram à cidade compositores de referência internacional, projetos teatrais com artistas da cidade e diversas colaborações com personalidades portuguesas.

Numa altura em que a cultura também é obrigada a ficar em casa, a associação propôs, em comunicado nas redes sociais, que se partilhem projetos artísticos underground com a hashtag #CulturaAoDomicilio. Nesse sentido, o coletivo criou uma playlist no seu canal de YouTube onde partilham algumas das suas produções bem como entrevistas e canções ao vivo.

A associação cultural dá destaque a músicos, programadores e técnicos que dependem economicamente de atividades artísticas. “Num contexto extremamente precário, terão consequências muito sérias nas suas vidas”, acrescentam em comunicado. Com esta hashtag pretendem dar a conhecer conteúdos de interesse que, até agora, tenham andado pela sombra.

Designam-se como “um perfil independente com um ‘ror’ de atividades a desenvolver”. As raízes transmontanas são o coração de todas as suas iniciativas e já os levaram ao projeto Reasons To Be Cheerful, criado pelo músico David Byrne, num post sobre o combate à desertificação do interior através da cultura.

#StayTheFuckHome

Florian Reifschneider, um engenheiro de software, residente em Frankfurt, na Alemanha, acompanhou a evolução do coronavírus desde o seu surgimento em Wuhan, na China. Quando os primeiros casos fora do país foram anunciados criou a hashtag #StayTheFuckHome.

A mensagem provocadora não foi escolhida ao acaso. Com o objetivo de captar a atenção dos leitores, elaborou um conjunto de atividades, expostas em posts do Instagram, para ocupar o tempo em época de quarentena. Allie, a sua namorada, foi braço direito na formação desta iniciativa. “Queremos informar, educar e oferecer às pessoas um guia de ações a tomar”, explica Florian Reifschneider, em entrevista, via email, ao P3|Público.

Criado a 9 de março, o projeto já foi visualizado por mais de 500 mil pessoas e traduzido para várias línguas, incluindo o português. Começou por fazer publicações alusivas às recomendações dadas pela Organização Mundial de Saúde (OMS), como lavar bem as mãos e evitar o uso de transportes públicos. Hoje, partilha diariamente novas atividades que incentivam a quarentena voluntária, desde praticar Yoga a aprender uma nova língua.

Florian e Allie encontram-se em quarentena num país onde já foram confirmados mais de 1500 casos. “Devíamos realmente pensar se as nossas inconveniências pessoais são justificação para colocar em perigo milhões de pessoas”, salienta.