Dezenas de discos reeditados em formato digital pela Valentim de Carvalho

Fonte: Público

A editora Valentim de Carvalho está a relançar dezenas de discos, editados originalmente em singles, EP ou LP. Alguns títulos associados à Revolução dos Cravos e ao Festival RTP da Canção, esgotados do seu catálogo, são os primeiros a estar disponíveis em formato digital, seja nas plataformas de streaming ou para compra.

Nesta coleção, o disco mais antigo pertence a José Afonso. Trata-se de um EP editado em 1964 que teve a sua primeira versão censurada devido à canção “Ó vila de Olhão”, riscada com um prego pela censura para evitar a sua transmissão nas rádios. Valentim de Carvalho criou uma segunda edição do disco, alterando a capa e a última canção, “Ó vila de Olhão”, para um instrumental  de Rui Pato e o Conjunto de Guitarras de Jorge Fontes. “Coro dos caídos”, “Canção do mar” e “Maria” são as restantes faixas do EP.

Fonte: Valentim de Carvalho

O resto dos discos deste segmento foram todos editados no pós-25 de Abril, com o tema comum da queda da censura. O single de Pedro Barroso, “1º de Maio”, que incluía no lado B “Medicina social”, encontra-se reeditado na íntegra, estando estas duas faixas em conjunto. No livro “Liberdade é Fruto”, João Pedro Almeida da Rocha conta que a canção foi escrita “no dia 2 de Maio de 1974, de forma emotiva e ainda na ressaca dos acontecimentos do dia anterior”. É também reeditado um outro single de Pedro Barroso ,“Pastilhas Reação”, como outros ligados ao espírito da época: “Avante Camarada”, de Maria Glória; “Somos Livres”, por Ermelinda Duarte; “Grândola vila Morena” (por muitos considerado o hino da revolução), interpretada pelo Grupo Coral dos Ceifeiros da Casa do Povo de Cuba, do Alentejo.

Para completar, incluem-se também “Terra Vazia” e “Vem Liberdade”, ambos em 1975 por Alberto Júlio, “A Sudoeste” de 1976, o último single de Vieira da Silva, e finalmente o LP de Luís Cília, “Resposta”, gravado em 1975 com músicos como Pedro Caldeira Cabral (guitarra e flauta) e Olga Prats (Piano).

No que toca ao Festival RTP da Canção, o primeiro conjunto reúne as canções vencedoras em nove concursos realizados de 1958 a 1981. Foram relançadas com os lados B, com a exceção da canção de Manuela Bravo, e com as capas originais.

Esta série consiste em: Maria Fátima Bravo, vencedora do primeiro festival, em 1958, com a canção “Vocês sabem lá…”; “Oração” (1964), de António Calvário; “Sol de inverno” (1965) e “Desfolhada portuguesa” (1969) de Simone de Oliveira; Eduardo Nascimento com “O vento mudou” (1967); “Verão” (1968), de Carlos Mendes; “Onde vais rio que eu canto”, de Sérgio de Oliveira (1970); “Sobe, sobe, balão sobe” (1979), de Manuela Bravo; e Carlos Paião com “Playback” (1981).

A seleção sucedeu-se também em canções concorrentes, mas não vencedoras, em três décadas. Da década de ’60, são seis, entre elas “Encontro para amanhã” (1966), de António Calvário, “Sou tão feliz” (1967), de Marco Paulo, e “Balada para D. Inês” (1968), de Quarteto 1111. Da década de ’70, encontram-se Tozé Brito com “Se quiseres ouvir cantar” (1972), Simone de Oliveira com “Apenas o meu povo” (1973) e Duo Ouro Negro com “Baila dos trovadores” (1974), entre outros. Da década de ’80, partilham todas o ano de 1983: “Rosa Flor Mulher”, de Alexandra, “Flor Vinho do Porto”, de Cândida Branca e “Terra Desmedida”, de Sofia.

Por fim, há ainda dois EP de versões – o primeiro do Conjunto Académico João Paulo, intitulado “Eurovisão 1966 – 1º e 2º prémios”, com as canções “Nunca direi adeus”, “Ciao”, “Ele e ela” e “Balada a uma rapariga triste”. No segundo EP, o título legenda eficientemente o conteúdo com o nome “Marco Paulo canta Eurovisão 1970”, onde o artistas canta em português algumas das músicas em concurso esse ano.