Fórmula 1: arranque em julho, cortes nos orçamentos e rumores de abandonos

Foto: Formula 1

Mesmo com o pelotão nas boxes, as polémicas nunca deixam o universo da Fórmula 1, seja pela redução do teto orçamental das equipas em 2021 ou pelo possível abandono da Mercedes. Enquanto isso, o organismo que rege o principal mundial de velocidade tem reunido esforços para que o campeonato volta às pistas no Grande Prémio (GP) da Áustria.

Com arranque previsto para Melbourne, em março, o mundial de Fórmula 1 ficou em suspenso devido à covid-19. Entretanto o GP australiano já foi cancelado, juntamente com o histórico GP do Mónaco e com o GP de França.

A Fórmula 1 prepara agora um conjunto de medidas extremas para que o mundial volte a 5 de julho, na Áustria. Fala-se até que, para recuperar tempo, o pelotão possa fazer duas corridas em solo austríaco e outras duas em Inglaterra, no espaço de um mês.

Certo é que, à semelhança de outros desportos, as corridas não vão ter espetadores nas bancadas. Muitos luxos também vão desaparecer, como por exemplo as motor homes, onde os pilotos costumam relaxar antes e depois da corrida.

As tradicionais conferências de imprensa conjuntas também vão ficar de fora
Foto: Red Bull

O staff das marcas vai ser reduzido a 60 pessoas e as equipas vão chegar aos circuitos em horários diferentes. As deslocações vão se limitar ao trajeto entre o hotel e o autódromo, sem espaço para restaurantes, nem algumas das habituais formalidades que se associam às corridas.

Mas afinal quantas corridas estão previstas?

Originalmente, o mundial iria contar com 22 corridas entre março e novembro, com uma pausa de verão em agosto. Para já, apenas se sabe que essa pausa vai ser suprimida e que, para além dos 3 Grandes Prémios cancelados, 7 foram adiados.

Segundo o site oficial da Fórmula 1 o objetivo é realizar “entre 15 a 18 corridas”, mas qualquer confirmação só deverá chegar no final de maio.

GP do Monaco não era cancelado desde 1954
Foto: F1
Grande PrémioCircuitoData
Original
Estado
GP AUSTRALIAAlbert Park, Melbourne15 marçoCANCELADO
GP BAHRAIN Sakhir22 marçoADIADO
GP VIETNAM Hánoi (circuito urbano)5 abrilADIADO
GP CHINA Shanghai19 abrilADIADO
GP HOLANDA Zandvoort3 maioADIADO
GP ESPANHABarcelona10 maioADIADO
GP MONACOMonaco (circuito urbano)24 maioCANCELADO
GP AZERBAIJÃOBaku (circuito urbano)7 junhoADIADO
GP CANADACircuito Gilles Villeneuve,
Montreal
14 junhoADIADO
GP FRANÇACircuito Paul Ricard,
Le Castellet
28 junhoCANCELADO
Lista de Grandes Prémios cancelados ou adiados

Teto de 133 milhões em 2021

A situação não é nova. Antes do início da época 2020 a Fórmula 1 já tinha anunciado que as equipas estariam limitadas a um orçamento de 160 milhões de euros no próximo ano, com o objetivo de desagravar o fosso competitivo. No entanto, o diretor do mundial, Ross Brawn, anunciou que o teto vai sofrer uma nova redução, para 133 milhões de euros.

Foto: Williams

“Até agora o objetivo era ter um pelotão mais competitivo, mas face a esta crise a prioridade é a sobrevivência das equipas”

Ross Brawn, diretor do mundial de F1

A limitação de orçamento inclui os custos com o desenvolvimento dos monolugares, um dos fatores que gerava maior desequilíbrio entre as equipas. Apesar desta interrupção, Ross Brawn garante que os acordos comerciais para a próxima época já estão a ser negociados

Ross Brawn, em 2019 Foto: Getty Images

Como tudo na F1, estas medidas não estiveram livres de polémicas. As negociações geraram um braço de ferro entre algumas das maiores equipas e a FIA. Ferrari e Red Bull não terão ficado contentes com a nova limitação e alguma imprensa dedicada falou que a scuderia italiana poderia estar de novo a ameaçar abandonar o mundial. Nada de novo.

Eddie Jordan volta a atacar: Mercedes vai deixar a F1?

Eddie Jordan, uma das figuras mais polémicas do universo da F1 Foto: Heatchcliff O’Maley

Não é novidade que Eddie Jordan, antigo dono da extinta Jordan, gosta de atrair os holofotes com declarações polémicas. O carismático empresário tem boas fontes dentro do universo da F1, mas também já errou algumas vezes.

Segundo Jordan, a Petronas, uma das principais financiadoras da equipa da Mercedes, vai interromper o seu patrocínio, devido à crise no petróleo. “A liderança da Mercedes não pode fazer nada, eles venceram tudo. Nestas circunstâncias não podem promover mais sucessos”.

E acrescenta “eles vão vender a equipa, talvez a Lawrence Stroll [líder da Aston Martin]. Posso imaginar a Mercedes numa parceria mais intensa com a McLaren”. Jordan avança ainda que o multicampeão Lewis Hamilton vai-se mudar para a Ferrari, porque “só os italianos vão poder pagar o salário e sabem que ele vale a pena”.

Por fim, o britânico prevê que Ferrari, Red Bull e McLaren-Mercedes vão constituir o trio dominador do mundial de F1 num futuro próximo.

Lewis Hamilton, 5 vezes campeão mundial de f1 Foto: AFP

Apesar de polémicas, os analistas consideram que as declarações de Eddie Jordan, provavelmente, não passam de especulação. Pelo menos em parte. A verdade é que a equipa da Mercedes é praticamente autossuficiente e não deu grandes sinais de planear abandonar o pelotão nos próximos anos.

Já a mudança de Hamilton para a Ferrari, pode não ser assim tão improvável. A scuderia italiana não vence o campeonato desde 2007 e pode esta disposta em investir no piloto britânico para voltar aos triunfos.

Para já, e para o resto da época, o pelotão da Formula 1 vai-se manter da seguinte forma