Governo anuncia verão sem festivais de música

Foto: Inês Costa Monteiro

Todos os festivais de música estão proibidos até ao dia 30 de setembro. A decisão foi aprovada hoje, dia 7 de maio, numa reunião do Conselho de Ministro e afeta os principais eventos marcados para o verão português

A medida já era esperada há algumas semanas, sobretudo depois de vários países europeus terem anunciado o mesmo durante o mês de abril. Festivais como o Nos Alive, Super Bock Super Rock, Nos Primavera Sound, Paredes de Coura ou Meo Sudoeste ficam veem, assim, a edição de 2020 cancelada.

Segundo o Conselho de Ministros, “prevê-se a emissão de um vale igual ao preço do bilhete de ingresso pago”, de modo a ressarcir os espetadores que já tinham adquirido ingressos. Esse modelo vai-se também alargar a todos os espetáculos adiados desde 28 de fevereiro.

Segundo dados da APORFEST – Associação Portuguesa de Festivais de Música, o ano passado realizaram-se 287 festivais em Portugal, em que foram vendidos 2,1 milhões de bilhetes. O retorno para a economia nacional foi de cerca de 18 mil milhões de euros.

O norte americano Kendrick Lamar era um dos nomes mais esperados
Foto: Christopher Polk/Getty

Em declarações ao jornal Público, Álvaro Covões, diretor da Everything is New – promotora que organiza o Nos Alive – revelou não estar surpreendido com a decisão e ciente que esta “não era uma decisão política ou empresarial”. “Ninguém iria querer organizar um festival que pudesse pôr em risco a saúde pública”, acrescentou.

Também João Carvalho, diretor do Vodafone Paredes de Coura – e membro organizador do Nos Primavera Sound – não se mostrou surpreendido e reconheceu que seria “quase impossível” organizar os festivais. Em ambos os festivais a intenção é manter e reforçar o cartaz previsto para 2020.