Mão Morta são o primeiro nome para o Paredes de Coura 2021

BLITZ – Mão Morta lançam novo álbum ainda este ano
Foto: Paulo Cunha Martins

Os Mão Morta vão estar no Vodafone Paredes de Coura, no próximo ano. O anúncio foi feito durante uma livestream por João Carvalho, promotor do festival.

Na conversa promovida pela Global News, estava também Adolfo Luxúria Canibal, vocalista da banda bracarense, que foi apanhado de surpresa. “É a cereja no topo bolo”, revelou músico depois de fazer referência à provável continuidade do cartaz previsto para 2020.

A banda a regressa a Paredes de Coura, depois da última presença em 2017. Na altura celebraram os 25 anos de “Mutantes S.21” em conjunto com os 25 anos do festival nortenho.

Apesar de ainda não haver confirmação oficial, João Carvalho já mostrou a intenção de manter as bandas que tinham sido confirmadas para edição deste ano, entretanto cancelada. Pixies, Parquet Courts, Mac DeMarco e Yellow Days eram alguns dos nomes em cartaz.

Quase 36 anos na bagagem

M�o Morta em 1994
Mão Morta, em 1994 Foto: Blitz

Fundados em 1984, em Braga – reza a história que Joaquim Pinto (ex-baixista da banda) regressou de um concerto dos Swans, em Berlim, com vontade de formar uma banda depois de Harry Crosby lhe ter dito que tinha “cara de baixista” – tornaram-se uma das maiores referências do rock português.

No início, os concursos de bandas acabaram por ser uma importante rampa de lançamento. Sobretudo depois de conquistarem o “Prémio Originalidade” no Concurso de Música Moderna, do histórico Rock Rendez-Vous, em Lisboa.

Ao vivo em 1993
Durante um concerto, em 1993

Em 1988 ainda não tinham nenhum disco gravado, mas já figuravam na seleção de melhores bandas nacionais da revista da Blitz. Em junho desse ano lançam o primeiro EP – “Mão Morta”. No ano seguinte regressam ao Rock Rendez-Vouz, onde Adolfo Luxúria Canibal protagoniza um episódio caricato, ao pegar numa faca e auto infligir alguns golpes na perna.

«Fui longe demais (…) O ambiente na sala estava pesadíssimo, havia necessidade de aplacar um bocado as coisas e eu pensei que o sangue poderia acalmá-los… o sangue assusta. Afinal o sangue acabou por ser demais, e aí é que eu vi que tinha feito asneira»

Adolfo Luxúria Canibal, em 1993

Em 1990, chega o primeiro álbum – “Corações Felpudos” – já sem o baixista e cofundador, Joaquim Pinto. Nos dois anos seguintes, editam outros dois L.P´s que lhe conferem reconhecimento dentro e fora de portas.

Nos Pr�mios BLITZ, em 1995
Nos prémios Blitz (1995)

“Mutantes S.21” (1992) tem nove temas, todos com nomes de cidades. “Um diário de viagem”, segundo descreve o site dos Mão Morta. É o primeiro a gozar de popularidade na rádio e na televisão, com o single “Budapest” a entrar nos tops nacionais. Da digressão de apresentação do álbum, saiu um concerto no Theatro do Circo, cujo recinto acabou quase destruído.

Durante os anos 90 continuam a editar vários trabalhos, incluindo “Muller no Hotel Hessicher Hof”, uma peça musical interpretada pela banda, através de textos de Heiner Muller. Foram somando álbuns e presenças em palcos de destaque em Portugal e no estrangeiro.

Budapest (1992)

Editado em 2019, o último álbum dos Mão Morta chama-se “No Fim Era o Frio”. Em entrevista ao Público, Adolfo Luxúria Canibal diz que não contém propriamente músicas. Descreve as faixas como “longos ambientes, a que chamamos módulos”.

[A biografia da banda, da autoria de Vítor Junqueira, pode ser consultada no site oficial dos Mão Morta. A fotogaleria “Mão Morta: 25 anos em imagens” está disponível no site da revista Blitz, com trabalhos de Carlos Didelet, Daniel Blaufuks, Isa Dreyer Botelho, José Pedro Santa-Bárbara, Nuno Borges de Araújo, Rita Carmo e arquivo pessoal de Adolfo Luxúria Canibal]