Morreu Tony Allen: as baquetas do Afrobeat

Fonte: The Quietus

Tonny Allen, o pioneiro do afrobeat, morreu esta quinta-feira, em Paris, aos 79 anos. O baterista nigeriano foi um dos principais colaboradores do seu compatriota Fela Kuti. 

Numa mistura de géneros como o jazz, funk, higlife e yorubá, nasceu o afrobeat, que se tornou uma das correntes fundamentais da música africana do século XX. Este novo género resultou de uma parceria com Fela Kuti, que alcunhou o novo ritmo musical.

Fela Kuti foi , até à sua morte em 1997, o rosto do afrobeat. Mas para os mais atentos era nítido que Allen era uma pedra nuclear em todas as aventuras sónicas iniciadas na Lagos dos anos 70. O ritmo, o seu estilo único de tocar e a sua personalidade humilde, mas carismática, perdurarão.

Numa entrevista ao PÚBLICO em 2002, quando convidado a refletir sobre a paternidade do afrobeat, afirmou que tanto ele como Fela ofereceram ao mundo um dos ritmos mais disseminados na música. O género tornou-se uma influência para os mais diversos estilos musicais, desde a dança eletrónica ao hip-hop, ou das aventuras do rock alternativas ao soul-jazz-funk. “Somos os dois fundadores. Fela compunha e cantava, mas sem os meus ‘beats’ não lhe seria possível compor como fazia” 

Juntamente com Fela Kuti e o grupo África 70, Tony Allen gravou cerca de 40 álbuns, antes da separação dos dois nigerianos, após 26 anos de colaboração.

O músico britânico Brian Eno apelidou Tony Allen como “o melhor baterista de todos os tempos”.