Pandemia de COVID-19 leva ao cancelamento da Queima das Fitas do Porto

Foto: portobay.com

“Se a história é cheia de desafios à Humanidade, em 2020 vivemos um dos que ficará nela” – assim se inicia o comunicado emitido pela Federação Académica do Porto (FAP). Após analisar todas as alternativas, a FAP anunciou, esta terça-feira, dia 17 de março, o cancelamento da Queima das Fitas 2020.

Em concordância com as suas associações de estudantes, a direção da FAP anunciou que a Queima das Fitas do Porto ia ser cancelada. “Num cenário de incerteza de quando poderá ser retomada a atividade letiva, de quais serão os novos calendários académicos, de quando será contida a pandemia, a Direção da FAP, pela postura responsável que nos é exigida e por nós assumida, tem que construir soluções e tomar decisões com base na certeza”.

Marcos Teixeira prossegue, dizendo que, “como foi noticiado, a organização da Queima das Fitas do Porto decorreu sempre dentro da normalidade, mas sempre acompanhada por uma avaliação de risco, quer do ponto de vista logístico quer do ponto de vista social”. Um cuidado que, de acordo com o documento, terá sido sustentado pelo “significado que o evento tem para toda a Academia do Porto e para a Cidade do Porto”. Contudo, e à semelhança dos seus organizadores, também a Queima das Fitas foi colocada em quarentena, vendo a sua saída à rua impossibilitada por um ano.

O evoluir da pandemia, bem como “do cenário de preocupação social” e a subsequente imposição de medidas pelo Governo, na esperança de se evitarem os aglomerados de pessoas, levaram a que se agravasse “o grau de incerteza para cenários alternativos, por via de falta de hipóteses significativas para novos calendários académicos”. A decisão, que não podia ser mais adiada, como se pode ler em comunicado, mostrou ser a “única forma de dar garantias aos quase 70.000 estudantes” representados pela FAP. O comunicado é “resultado de uma decisão ponderada, conjunta e tomada depois de esgotadas todos os cenários de alternativa”, reitera o presidente.

Foto: FAP

Reconhecendo que a decisão possa não agradar aos estudantes, Marcos Teixeira apela à compreensão de todos. “Mais do que a tristeza que esta decisão possa deixar em cada um de nós, que respiramos a Academia do Porto, que temos carinho pelas nossas gentes e pelas nossas tradições, devemos ficar com o sentimento de dever cumprido”. Indo ao encontro daquilo que o Governo tem pedido ao país, a FAP limita assim o contacto de pessoas, relembrando aos alunos que é o “dever de todos ser um exemplo, cuidadores de deles e dos outros” e de serem “jovens sem medo de fazer o certo mesmo quando é o mais difícil”.

Em comunicado, a FAP faz ainda um louvor aos profissionais de saúde e a todo o esforço desempenhado no combate ao Coronavirus, “reconhecendo e valorizando o trabalho dos clínicos que estão a acompanhar o processo, muitos deles estudantes da nossa academia”. Em Portugal, o número de infetados com COVID-19 aumenta exponencialmente a cada dia: 642 casos contabilizados esta manhã, mais 194 que ontem, e duas vítimas mortais, anunciou a Direção-Geral de Saúde (DGS). 

Em jeito de despedida, o dirigente da Federação Académica do Porto faz um último apelo aos estudantes, recorrendo a um trocadilho para relembrar a importância da adesão às medidas de controlo. “Nós (FAP) também faremos a nossa parte, e é por isso que este ano, o Nosso Porto de Encontro é #ficaremcasa”.