Self Made: um tributo às mulheres negras

Fonte: Movie Places

Nasceu em 1867 e ficou conhecida, na sua época, pela venda de produtos revolucionários voltados para o tratamento de cabelos afro. Em 2020, com produtos em seu nome ainda à venda, a Netflix pegou na sua história e contou-a numa mini-série de quatro episódios.

Madam C. J Walker, nome de casamento de Sarah BreedLove, inspirou a comunidade negra americana, por ser a primeira mulher a tornar-se milionária nos Estados Unidos da América. Numa época em que a segregação racial era uma realidade, o povo negro era tratado da pior forma possível, sendo-lhe negado direitos, enquanto cidadãos.

Os vários momentos da série dão conta da vida difícil que Sarah tinha, antes de se tornar um ícone. Desde o casamento precoce, aos 14 anos, o nascimento da filha A’Leila, que viria a ser um grande apoio de vida, e a morte do primeiro marido, até aos maus tratos que sofria no segundo casamento. O facto de o companheiro de Sarah lhe bater e tratar mal, pelo seu aspeto e fraco estatuto, é digno de reflexão, pela semelhança e proximidade com situações de violência atuais. 

Fonte: Espalha Factos

A forma como Sarah ergueu a sua vida aos poucos, depois de deixar o marido abusivo, é de louvar. Negra, com uma filha e solteira. A trabalhar como doméstica, viu no seu problema capilar uma oportunidade. A reconhecida empresária Annie Malone, na série Addie Munroe, tratou do seu e ela viria a tratar do de milhares de negras pela América.

Fonte: Movie Places

A evolução da personagem, baseada na pessoa real de Sarah, é incrível. Alguém que se emancipou de forma alucinante, depois de ser vítima e maltratada, por ser negra. Numa altura em que a raça não detinha quaisquer direitos e as mulheres eram como objetos, decidiu ir em frente com a sua produção, caseira e por tentativas, de um produto que lhe era particularmente especial e que cresceu a ponto de permitir a construção de fábricas e cabeleireiros em seu nome.

Fonte: IndieWire

Assim sendo, e convicta que conseguiria criar uma fórmula melhor, por conhecer de perto os cabelos afro, Sarah criou a sua própria marca, que viria a tornar-se, mais tarde, num autêntico império. A agora Madam C. J. Walker, criou conceitos e produtos e empregou mulheres negras nas suas fábricas, numa altura, repito, em que mulheres negras eram consideradas inferiores e eram extremamente maltratadas, quer pela sociedade, quer pelos maridos. Na altura, os ferros quentes foram um dos sucessos da empresária. Hoje, os secadores e modeladores auxiliam muitas mulheres pelo mundo todo.

Fonte: Espalha Factos

A empresa teve sucesso até à sua morte e depois, ao cargo dos seus herdeiros. Em 2016, a Sundial Brands, empresa de cuidados com a pele e cabelos, realizou uma colaboração com a Sephora. A Madam C. J. Walker Beauty Culture surgiu para manter o nome da empreendedora americana vivo e presente.

Uma série importante, que quer dar a conhecer uma personalidade que viveu numa época horrível para alguém da sua cor e género, com escassos recursos para sequer sobreviver. Ainda assim, empoderou-se e tornou-se na mulher mais rica da sua época.